quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Crise Econômica Grega

UE busca mensagem de unidade diante de crise grega e mal-estar popular

DA EFE
Os líderes da União Europeia iniciam nesta quinta-feira uma complicada cúpula na qual tentarão passar uma imagem de unidade e firmeza perante o agravamento da crise grega e suas repercussões na zona do euro e o aumento dos protestos populares contra as medidas de austeridade em vários países.
Este Conselho Europeu, que acontece na quinta e sexta-feira, em Bruxelas, chega em momento de dúvidas, já que muitos governos sofreram castigos eleitorais pelos sucessivos cortes e em alguns países ocorreu a ascensão de partidos de ultradireita.
Além disso, as tentativas de alguns estados da Europa sem fronteiras (como França e Dinamarca) de restaurar os controles fronteiriços terminaram de levantar a voz de advertência perante duas das grandes conquistas da UE: o euro e a liberdade de circulação.
Desta forma, além da grave situação pontual da Grécia, esta cúpula deve renovar o compromisso dos chefes de estado e governo no conjunto do projeto europeu.
Este Conselho Europeu terá um formato diferente, pois começa nesta quinta-feira com um jantar de trabalho às 14h30 (horário de Brasília) centrado em questões econômicas, com a crise grega como grande protagonista.
A situação da Grécia estará nos debates, mas só como discussão, já que não há decisões a tomar. Os líderes comunitários respaldarão novamente o trabalho do primeiro-ministro grego, George Papandreu, que na madrugada de quarta-feira superou uma moção de confiança em seu Parlamento.
O governo grego se comprometeu a obter o apoio do Parlamento antes do fim deste mês às novas reformas e a um amplo plano de privatizações, o que por sua vez deve permitir que os países do euro desbloqueiem o quinto lance do programa de resgate (12 bilhões de euros, dos quais 8,7 bilhões correspondem à UE e 3,3 bilhões ao FMI).
A fim de facilitar a decisão parlamentar e combater a crescente rejeição popular às medidas de austeridade, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, propôs na terça-feira facilitar ao país o acesso a fundos comunitários já existentes para incentivar o crescimento e combater o desemprego.
Além da questão grega, a cúpula concluirá vários elementos empreendidos no último ano para evitar novas crises financeiras ou limitar seu impacto.
Assim, os chefes de estado e governo comunitários darão sua aprovação final às diretrizes para a coordenação das políticas econômicas dos países da UE, assim como das recomendações individuais a cada país que a comissão apresentou no início do mês.
Também irá ser autorizada definitivamente a modificação do Tratado necessária para estabelecer a partir de 2013 um mecanismo de resgate permanente de países com problemas.
"Este Conselho Europeu dará passos muito importantes para assegurar que a política econômica da UE é ao mesmo tempo mais coerente e mais eficaz", afirmou Barroso nesta quarta-feira perante o plenário da Eurocâmara.
Após se concentram em economia na noite da quinta-feira, os líderes da UE retomarão a cúpula na sexta com uma discussão sobre o Tratado de Schengen e o controle das fronteiras.
A previsão é que o Conselho Europeu aceite introduzir um mecanismo de salvaguarda ao regulamento que regula o funcionamento do Tratado de Schengen para que, "perante casos extraordinários, com tempo preestabelecido e sempre como última opção, os países possam reintroduzir seus controles", segundo apontam fontes diplomáticas.
Trata-se de uma solução intermediária entre países como França e Dinamarca, que pretendiam restringir mais a livre circulação, e para outros, como a Espanha, que defendem que o Tratado de Schengen não seja modificado. Além disso, a cúpula acordará o reforço da agência de controle de fronteiras externas, a Frontex.
O Conselho Europeu chegará ao fim com questões externas, entre as quais se destaca o reforço da política da UE para os países do sul do Mediterrâneo como resposta às revoltas e mudanças democráticas dos últimos meses na região.
Os líderes comunitários expressarão sua "condenação" à violência na repressão síria e discutirão a evolução do conflito na Líbia, acrescentou uma das fontes diplomáticas.
A cúpula também deverá respaldar a entrada da Croácia na UE em 1º de julho de 2013, tal como propôs a Comissão Europeia, embora com um mecanismo de controle que certifique que o país seguirá cumprindo seus compromissos de reformas políticas e econômicas até a data do seu ingresso.

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